março 19, 2019

Alzheimer e cannabis medicinal

tratamentos
4 min de leitura

Cerca de 35,6 milhões de pessoas sofrem de demência em todo o mundo. Até 2050, este número deverá chegar a 115 milhões, gerando um impacto enorme em pacientes e em suas famílias. Só o Brasil possui mais de 1 milhão de pessoas diagnosticadas.

O tipo mais comum de demência é a doença de Alzheimer, responsável por cerca de 60% a 80% dos casos. Com o crescimento dessa população, o desenvolvimento de tratamentos para retardar ou parar a progressão da doença torna-se cada vez mais necessário para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Dada a escassez de recursos que os profissionais da saúde têm hoje para tratar a doença, encontrar uma terapia eficaz para o Alzheimer é uma das maiores prioridades médicas. Nos últimos anos houve um crescente interesse nas utilizações medicinais dos canabinoides para tratar doenças comuns em pessoas idosas, como o Alzheimer.

Vários estudos in vitro e in vivo demonstram que os canabinoides podem combater as seguintes características da doença:

  • Estresse oxidativo, um acelerador do processo de envelhecimento
  • Neuroinflamação, envolvida na progressão da doença
  • Formação de placas amilóides e emaranhados neurofibrilares, responsáveis por grande parte das características já conhecidas do Alzheimer

A literatura médica atual relata consistentemente que o sistema endocanabinoide está associado ao Alzheimer. Diversas pesquisas têm mostrado que o gerenciamento desse sistema oferece uma nova abordagem farmacológica para o tratamento da doença e que pode ser mais eficaz do que os medicamentos atualmente disponíveis.

O canabinoide THC parece fragmentar os beta-amilóides – principal constituinte das placas amilóides – facilitando a sua eliminação, da mesma forma que ocorre em um cérebro saudável, e, consequentemente, retarda o avanço da doença. Além disso, os canabinoides podem ajudar a proteger e estimular a formação de novos neurônios no cérebro, melhorar o humor, o apetite e o sono e reduzir o estresse, a ansiedade e a agressividade. Em estudos constatou-se que os canabinoides reduziram também os sintomas relacionados à demência, como distúrbios comportamentais.

Por esses motivos, os canabinoides são candidatos interessantes a medicamentos para o tratamento do Alzheimer e atualmente, já foram desenvolvidos medicamentos à base de canabinoides (via oral e spray bucal), o que torna a administração e o controle da dose mais fáceis.

É importante salientar que estudos maiores são necessários para determinar a eficácia dos tratamentos com derivados da cannabis à longo prazo e em um grupo ainda maior de pessoas. No entanto, os resultados atuais já fornecem uma nova perspectiva e uma nova opção para tratar a condição.

Sobre Alzheimer

O Alzheimer é uma doença crônica em que células cerebrais se degeneram e morrem, causando um declínio progressivo na memória e na função mental.

As funções cognitivas são afetadas, reduzindo as capacidades da pessoa trabalhar e se relacionar.

Quais são os sintomas?

O Alzheimer tem como característica a piora progressiva dos sintomas, mas felizmente muitos pacientes podem apresentar períodos de maior estabilidade.

A evolução dos sintomas pode ser dividida em três fases: estágio inicial, intermediário e avançado.

No estágio inicial os sintomas incluem:

  • Problemas de linguagem
  • Perda de memória
  • Não saber a hora ou o dia da semana
  • Se perder em locais familiares
  • Dificuldade em tomar decisões
  • Desmotivação
  • Mudança de humor, depressão ou ansiedade
  • Agressividade

Nos estágios seguintes esses sintomas se agravam e podem aparecer outros, como alucinações e distúrbios do sono.

Referências:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25788394

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25125475

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27665036

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17140265

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25024327

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